OIT alerta: “Ter emprego nem sempre garante condições de vida dignas”

Pelo menos 700 milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza extrema ou moderada, apesar de terem um emprego...

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A Organização Internacional do Trabalho apresenta esta quarta-feira o relatório World Employment and Social Outlook, sobre as perspetivas sociais e de emprego no mundo, e aponta como principal desafio a qualidade do trabalho no mundo.

O documento destaca que nem sempre um emprego assegura segurança económica, com pelo menos 700 milhões de pessoas no mundo que vivem em situação de pobreza extrema ou moderada, apesar de estarem empregadas.

Segundo o estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a qualidade do emprego no mundo é o maior desafio a nível mundial, depois da redução do desemprego.

O relatório destaca que a maioria das pessoas com emprego em 2018 não conseguia garantir segurança económica e um nível de vida adequado, não correspondendo aos padrões de trabalho digno.

“Ainda que os números de desemprego a nível mundial tenham estabilizado, continua a haver grandes deficits de trabalho digno”, refere Guy Ryder, diretor-geral da OIT.
“Ter um emprego nem sempre garante condições de vida dignas. É prova disso a existência de 700 milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza extrema ou moderada, apesar de terem um emprego”, destaca Damian Grimshaw, diretor do Departamento de Investigação da OIT.

Persistem ainda elevados valores de emprego informal, com cerca de dois mil milhões de trabalhadores e trabalhadoras nesta situação, ou seja, 61 por cento da força de trabalho a nível mundial.

O relatório destaca ainda a ausência de progresso quanto às diferenças entre homens e mulheres no que se refere no acesso ao emprego. Tendo em conta os dados a nível mundial, a percentagem de mulheres que fazem parte da população ativa não chega a 50 por cento (48 por cento). Em relação aos homens, 75 por cento faz parte da população ativa.

O emprego antes dos 25 anos continua também a ser uma preocupação, uma vez que um em cada cinco jovens não trabalha, não estuda e também não está em formação (um grupo também designado por nem-nem).

Outro motivo de preocupação tem que ver com alguns dos novos modelos de negócios, tendo em conta a utilização de novas tecnologias, que “ameaçam comprometer as conquistas alcançadas no mercado de trabalho”, nomeadamente em áreas como a melhoria da formalidade e segurança do emprego, proteção social e normas laborais.

No entanto, o World Employment and Social Outlook destaca alguns aspetos e sinais positivo do trabalho a nível mundial, nomeadamente a  grande diminuição da pobreza no trabalho ao longo dos últimos 30 anos, e ainda o aumento no número de pessoas com formação escolar e profissional.  Caso se consiga evitar uma desaceleração significativa da economia nos últimos anos, o desemprego poderá diminuir ainda mais em muitos países.

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